Luta alarga-se na <em>Pereira da Costa</em>

Aos 90 trabalhadores, há meses em vigília, dia e noite, frente às instalações da Pereira da Costa Construções, na Amadora, juntaram-se, dia 10, mais 50 dos restantes cem operários que ainda estavam a trabalhar, por não terem recebido, em Dezembro, o salário e o subsídio de Natal.
Em declarações ao Avante! , o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção do Sul, João Serpa, disse tratar-se de «mais um acto de terrorismo patronal», a juntar a outros do administrador Luís Moreira, que «não cumpre sequer os acórdãos do Tribunal que obrigam à reintegração».
Após duas semanas sem receberem, os cem trabalhadores apresentaram, dia 10, cartas de suspensão dos contratos, mantendo o vínculo, para poderem recorrer ao subsídio de desemprego, como tinham feito os que não recebem desde Setembro.
A suspensão entrou ontem em vigor mas anteontem começaram a receber da empresa o impresso para aquele efeito, «com uma carta anexa onde se pedia que justificassem as faltas, a partir do dia 10, ou teriam de abandonar o estaleiro».
Na primeira semana de Janeiro, o administrador garantiu ao sindicato a transferência dos montantes em atraso aos 100 trabalhadores, mas apenas cerca de uma dezena recebeu. «Foi mais um comportamento discriminatório», acusou João Serpa.
O sindicato contactou a comissão de credores, «que nada tem feito para acautelar os interesses dos credores e da empresa», embora o maior credor seja o Estado.
A forma como a Inspecção Geral do Trabalho tem actuado é também criticada.

Insolvência retirada

No dia 12, a administração retirou o processo de insolvência da Pereira da Costa Construções, que poderia pôr em causa a aquisição da falida MB Pereira da Costa (processo ainda não concluído).
Perante o incumprimento de tantas obrigações legais, contratuais e judiciais, o sindicato pondera avançar com um processo-crime e recorrer ao Provedor de Justiça, porque «era suposto que a escritura dos terrenos tivesse ocorrido há 16 meses».
«A vigília vai manter-se até que a comissão de credores tome uma posição definitiva que garanta os postos de trabalho», garantiu João Serpa.


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